O dia em que conheci a minha filha
Passei a noite toda acordada ansiosa por conhecer a Madalena.
Finalmente era de manhã, assim que veio a primeira enfermeira ao quarto perguntei logo se a podia ir ver. Claro que não, antes tinha que ver se estava em condições de me levantar.
Ganhei forças e aguentei as dores todas para verem que já estava em condições de ir até à Neonatologia.
Agora só depois de ir à casa de banho e comer.
OK, só mais um bocadinho.
Agora é hora dos banhos e as sras auxiliares estão todas ocupadas para ir lá consigo.
Já estava a ficar irritada, cada pessoa q se chegava ao pé de mim perguntava se me podia levar lá.
Pareceu-me uma manhã com 24h.
Ao 12h lá estava uma sra auxiliar disponível para ir comigo.
A distância da maternidade à neonatologia é enorme, apesar de no mesmo piso, mas para quem acabou de fazer cesariana é quase uma meia-maratona.
Depois de pôr bata e desinfectar-me, entrei na sala dos cuidados intermédios, onde ela estava, era uma sala muito pequena com 6 incubadoras, apenas com espaço para uma cadeira (desconfortável) entre incubadoras. Era uma sala escura e cheia de máquinas a apitar.
Comecei logo a tentar perceber qual era a incubadora da minha filha e lá veio uma senhora enfermeira indicar-me.
Era tão pequenina e tão perfeitinha, apesar de estar cheia de fios e tubos. Queria tanto mexer-lhe, pegar-lhe, metê-la à mama. Mas não podia.
Nada foi como idealizamos a gravidez inteira, mas depois de o médico me ter dito que era uma questão de minutos e ela não tinha sobrevivido, percebi a sorte que tivemos e que todos estes precalços não tiveram importância nenhuma.
Naquele dia estive com ela muito pouco tempo, a sala era muito quente, não conseguia estar lá muito tempo sem me sentir mal, maldita tensão baixa.
Madalena- 19-04-2016-1840kg



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